Quais são os sintomas de olho seco e quando consultar?
Postado em: 01/05/2026

Sensação de areia nos olhos no fim do dia. Ardor após horas em frente à tela. Vermelhidão recorrente. Esses sinais são comuns e podem estar relacionados ao olho seco.
A síndrome do olho seco é uma das queixas mais frequentes nos consultórios oftalmológicos, mas ainda gera dúvidas. O que provoca esse desconforto? Quando é algo passageiro e quando exige atenção? E, principalmente, quando procurar um especialista?
Neste artigo, você vai entender o que é o olho seco, seus principais sintomas, tipos, causas e quando buscar avaliação oftalmológica.
O que é olho seco?
O olho seco acontece quando há uma alteração na qualidade ou na quantidade da lágrima, comprometendo a lubrificação adequada da superfície ocular. O resultado é um olho que não consegue se manter confortável e protegido ao longo do dia.
Qual é a função da lágrima na saúde ocular?
A lágrima faz muito mais do que umedecer o olho. Ela forma uma camada protetora que:
- Hidrata e nutre a superfície do olho;
- Protege contra poeira, agentes externos e infecções;
- Mantém a visão nítida e estável entre um piscar e outro.
Quando essa camada se torna instável, seja por produção insuficiente ou por evaporar rápido demais, surgem os sintomas característicos do olho seco.
Quais são os sintomas de olho seco?
Sintomas mais frequentes no dia a dia
Os sinais do olho seco variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:
- Ardor e queimação nos olhos;
- Sensação de areia ou corpo estranho sem nada visível;
- Vermelhidão persistente ou frequente;
- Visão embaçada que melhora ao piscar;
- Lacrimejamento excessivo: sim, o olho seco pode lacrimejar em excesso como resposta ao desconforto;
- Cansaço visual após períodos curtos de leitura ou uso de telas.
O que pode ser considerado leve e o que é sinal de alerta?
Nem todo desconforto ocular exige atenção imediata. Um ardor leve após horas em frente ao computador ou em ambiente com ar-condicionado pode ser algo passageiro.
Mas alguns sinais merecem atenção:
- Dor persistente nos olhos;
- Sensibilidade intensa à luz;
- Visão embaçada que não melhora ao piscar;
- Piora progressiva dos sintomas ao longo das semanas.
Nesses casos, aguardar não é a melhor escolha.
Quais são os tipos de olho seco?
Entender o tipo de olho seco é importante porque cada um tem origem diferente, e o plano de cuidado também pode variar.
Olho seco por baixa produção de lágrima
Nesse tipo, o organismo produz lágrima em quantidade insuficiente para manter o olho lubrificado. É mais comum com o avanço da idade e pode estar associado a algumas condições de saúde.
Olho seco por evaporação excessiva
Aqui, a lágrima é produzida, mas evapora rápido demais. Isso está frequentemente relacionado ao uso prolongado de telas (que reduz a frequência do piscar), à exposição ao ar-condicionado, ao vento e à disfunção das glândulas presentes nas pálpebras, responsáveis por produzir a camada oleosa que retém a lágrima.
Quais são as principais causas e fatores de risco?
Fatores ambientais e comportamentais
- Tempo excessivo em frente a telas (computador, celular, TV);
- Ambientes com ar-condicionado ou aquecimento artificial;
- Exposição frequente ao vento;
- Uso prolongado de lentes de contato sem o acompanhamento adequado.
Fatores hormonais, idade e condições de saúde
- Envelhecimento natural, que reduz a produção lacrimal;
- Alterações hormonais, especialmente na menopausa;
- Doenças autoimunes que afetam as glândulas lacrimais;
- Uso contínuo de alguns medicamentos, como anti-histamínicos, antidepressivos e anti-hipertensivos.
Quando procurar um oftalmologista por olho seco?
Sinais de que é hora de agendar uma avaliação
Muitas pessoas convivem com o desconforto por meses antes de buscar ajuda. Mas alguns sinais indicam que é hora de fazer uma consulta oftalmológica completa:
- Sintomas que aparecem com frequência e não melhoram sozinhos;
- Necessidade constante de colírios para aliviar o desconforto;
- Visão embaçada recorrente que interfere nas atividades do dia a dia;
- Dor ou sensibilidade à luz persistente;
- Histórico de doenças autoimunes ou uso de medicamentos de uso contínuo.
O diagnóstico preciso é o que permite definir o tipo de olho seco e o plano de cuidado mais adequado para cada caso.
FAQ: Perguntas frequentes sobre olho seco
Olho seco pode provocar dor de cabeça?
Indiretamente, sim. O desconforto ocular prolongado gera esforço visual constante, o que pode contribuir para dores de cabeça, especialmente após o uso de telas ou leitura.
Quem usa lente de contato tem mais risco?
Sim. As lentes de contato podem aumentar a evaporação da lágrima e reduzir o oxigênio que chega à superfície ocular. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é importante para quem as usa.
Posso usar qualquer colírio para aliviar?
Não. Nem todo colírio é indicado para olho seco, e o uso sem orientação médica pode mascarar sintomas ou agravar o problema. A escolha do produto mais adequado depende de avaliação.
Olho seco tem cura?
Em muitos casos, o olho seco é uma condição crônica, mas controlável. Com o acompanhamento correto, é possível reduzir os sintomas de forma significativa e manter a qualidade de vida.
Avaliação especializada para olho seco
O olho seco pode ter diferentes origens e exige avaliação individualizada.
Se você sente ardor, vermelhidão ou sensação de areia nos olhos, procure um oftalmologista para identificar a causa e definir o tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico oftalmologista.
Dra. Medéia Coradini
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683