Quais são os sintomas do glaucoma e os fatores de risco?
Postado em: 15/05/2026

Imagine perceber, aos poucos, que a visão lateral está diminuindo, de forma silenciosa e sem dor. Em muitos casos, é assim que o glaucoma evolui: sem sinais evidentes no início, até que o dano já está instalado.
Receber esse diagnóstico pode gerar dúvidas. O que é glaucoma? Quem tem mais risco? O que pode acontecer com a visão? Esclarecer essas questões é o primeiro passo para cuidar da saúde ocular com segurança.
Neste artigo, você vai entender o que é o glaucoma, quais sinais merecem atenção, quem tem maior risco de desenvolver a doença e por que o diagnóstico precoce faz diferença na preservação da visão.
O que é glaucoma?
O glaucoma é um grupo de doenças oculares que provocam dano progressivo ao nervo óptico. Em muitos casos, esse dano está associado ao aumento da pressão intraocular (a pressão do líquido dentro do olho), mas também pode ocorrer com valores considerados normais.
Com o tempo, as fibras do nervo óptico são lesionadas, comprometendo o campo visual. Como esse nervo não se regenera, a perda visual causada pelo glaucoma é irreversível.
Por que o nervo óptico é tão importante para a visão?
O nervo óptico funciona como um cabo de transmissão: ele leva as imagens captadas pela retina diretamente ao cérebro, que as interpreta como visão. Qualquer lesão nessa estrutura compromete o campo visual, ou seja, a área que você consegue enxergar, especialmente nas laterais.
Quanto mais fibras forem danificadas, maior é a perda visual. É por isso que identificar o glaucoma cedo é tão importante.
Quais são os sintomas do glaucoma?
A resposta que muitas pessoas não esperam ouvir: na maioria dos casos, o glaucoma não dói e não apresenta sintomas visíveis no início. É exatamente essa característica que o torna tão perigoso.
Sintomas mais comuns no glaucoma crônico
O tipo mais frequente, o glaucoma crônico de ângulo aberto, evolui lentamente. Os primeiros sinais costumam ser sutis:
- Perda de visão periférica (lateral), muitas vezes percebida tarde;
- Sensação de “visão em túnel” em estágios mais avançados;
- Dificuldade para perceber objetos nas laterais ao dirigir ou caminhar;
- Esbarrar em móveis ou pessoas sem perceber o motivo.
Como o cérebro compensa a perda gradual, muitas pessoas só notam a mudança quando o dano já está significativo.
Quando o glaucoma pode gerar dor?
Existe uma forma menos comum, chamada glaucoma agudo de ângulo fechado, que se manifesta de maneira bem diferente: com dor ocular intensa, olho vermelho, visão embaçada e até náuseas. Essa situação é uma emergência oftalmológica e exige atendimento imediato.
Quais são as principais causas e fatores de risco?
Nem sempre há uma única causa para o glaucoma. O que se sabe é que alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolvê-lo.
Quem tem mais risco de desenvolver glaucoma?
- – Idade acima de 40 anos: o risco aumenta progressivamente com o envelhecimento;
- – Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau com glaucoma eleva consideravelmente o risco;
- – Pressão intraocular elevada: um dos principais fatores associados ao dano do nervo óptico;
- – Miopia alta: olhos mais alongados podem ser mais vulneráveis;
- – Diabetes: alterações vasculares podem afetar a saúde do nervo óptico;
- – Uso prolongado de corticoides: pode elevar a pressão dentro do olho em algumas pessoas.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá glaucoma, mas indica que o acompanhamento oftalmológico regular é ainda mais importante.
Quando procurar um oftalmologista?
Mesmo sem nenhum sintoma, pessoas acima de 40 anos ou com fatores de risco para glaucoma devem realizar avaliações periódicas. O ideal é conversar com um oftalmologista sobre a frequência mais adequada para cada caso.
Uma consulta oftalmológica completa permite identificar alterações precoces que passariam despercebidas no dia a dia.
Sinais de alerta que exigem avaliação imediata
Alguns sintomas não devem esperar por uma consulta de rotina:
- • Dor ocular intensa e súbita;
- • Perda repentina de visão;
- • Olho vermelho acompanhado de mal-estar ou náusea;
- • Visão de halos coloridos ao redor de luzes.
Nesses casos, busque atendimento oftalmológico o quanto antes.
Como é feito o diagnóstico do glaucoma?
O diagnóstico é realizado durante uma avaliação oftalmológica e envolve exames simples e indolores:
- • Medida da pressão intraocular (tonometria);
- • Exame de fundo de olho para avaliar o nervo óptico;
- • Campimetria (campo visual) para identificar perdas na visão periférica;
- • OCT (tomografia de coerência óptica), quando indicado, para análise detalhada das fibras nervosas.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Como o dano ao nervo óptico é irreversível, o objetivo do tratamento é interromper ou desacelerar a progressão da doença, não reverter o que já foi perdido. Com diagnóstico precoce, isso é totalmente possível na maioria dos casos.
O tratamento pode envolver colírios para reduzir a pressão ocular, procedimentos a laser ou, em situações específicas, cirurgia. A escolha depende de avaliação individualizada.
FAQ: Perguntas frequentes sobre glaucoma
O glaucoma tem cura?
O glaucoma não tem cura definitiva, mas pode ser controlado de forma eficaz quando diagnosticado precocemente. O acompanhamento contínuo é o que garante a estabilidade da doença.
Quem tem glaucoma pode ficar cego?
Sem tratamento, o glaucoma pode evoluir para perda visual significativa. Com acompanhamento adequado e diagnóstico precoce, o risco de cegueira é consideravelmente reduzido.
O tratamento é para a vida toda?
Na maioria dos casos, sim. O uso de medicação e o acompanhamento oftalmológico costumam ser contínuos, pois o objetivo é manter a pressão ocular sob controle ao longo do tempo.
Preserve sua visão com acompanhamento regular
O glaucoma pode ser silencioso, mas, quando identificado precocemente, é possível preservar a visão com o tratamento adequado.
Se você tem mais de 40 anos, histórico familiar ou outros fatores de risco, não espere pelos sintomas. Agende a medida da pressão ocular e o exame do nervo óptico pelo WhatsApp. O diagnóstico precoce é essencial para manter a visão.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico oftalmologista.
Oftalmologista com atuação em cirurgia de catarata, retina e neuro-oftalmologia.
CRM 161100 | RQE 100683
Dra. Medéia Coradini
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683