Daltonismo: o que é, como o teste de Ishihara detecta e quando vai além da herança genética
Postado em: 20/07/2026

Nem sempre a dificuldade para diferenciar determinadas cores é percebida nos primeiros anos de vida. Em muitos casos, o daltonismo está presente desde a infância e só é identificado durante uma avaliação visual ou em situações do cotidiano.
Na maioria das vezes, essa condição tem origem hereditária. No entanto, alterações na percepção das cores também podem surgir ao longo da vida e merecem investigação.
O teste de Ishihara é uma das principais ferramentas utilizadas para avaliar a visão das cores e auxiliar no diagnóstico do daltonismo.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é o daltonismo, como funciona o teste de Ishihara e quando mudanças na forma de perceber as cores podem estar relacionadas a causas que vão além da herança genética.
O que é daltonismo?
O daltonismo é uma condição que afeta a capacidade de perceber ou diferenciar determinadas cores.
Ele ocorre devido a diferenças no funcionamento das células da retina responsáveis pela percepção das cores. Como consequência, algumas pessoas podem apresentar dificuldade para distinguir certos tons, principalmente entre vermelho e verde.
Na maior parte dos casos, o daltonismo está presente desde o nascimento. Entretanto, dificuldades na percepção das cores também podem surgir ao longo da vida e exigir investigação oftalmológica.
O daltonismo é sempre hereditário?
Embora a forma hereditária seja a mais comum, algumas doenças da retina, alterações do nervo óptico e condições neurológicas podem comprometer a percepção das cores.
Por esse motivo, mudanças recentes na forma de enxergar determinadas tonalidades merecem avaliação especializada.
Quais são os sinais mais comuns de daltonismo?
As manifestações variam de pessoa para pessoa, mas algumas situações são observadas com mais frequência.
Dificuldade para diferenciar determinadas cores
A dificuldade para distinguir tons de vermelho e verde é a manifestação mais comum. Algumas pessoas podem apresentar ainda alterações na percepção entre azul e amarelo, embora essa forma seja menos frequente.
Confusão entre tonalidades semelhantes
Tons próximos, como verde e marrom ou vermelho e laranja, podem ser percebidos de forma semelhante.
Essa característica costuma ser observada em atividades escolares, jogos, mapas e gráficos coloridos.
Dificuldade em atividades que dependem da identificação das cores
Em alguns casos, a pessoa pode apresentar dificuldade para interpretar informações que utilizam cores como principal forma de orientação.
Muitas vezes, essa característica é percebida ainda na infância.
Quais são os tipos mais comuns de daltonismo?
Existem diferentes tipos de daltonismo, classificados de acordo com as cores mais afetadas.
Alterações relacionadas ao vermelho
Nesses casos, existe dificuldade para identificar ou diferenciar alguns tons de vermelho. Os termos técnicos utilizados para essas alterações são protanopia e protanomalia.
Alterações relacionadas ao verde
São as formas mais frequentes de daltonismo. A pessoa pode apresentar dificuldade para distinguir determinados tons de verde e algumas combinações entre vermelho e verde.
Os termos técnicos utilizados são deuteranopia e deuteranomalia.
Alterações relacionadas ao azul
Mais raras, essas alterações afetam principalmente a diferenciação entre azul e amarelo. Os termos técnicos utilizados são tritanopia e tritanomalia.
Daltonismo significa enxergar em preto e branco?
Não. A maioria das pessoas com daltonismo percebe as cores normalmente, mas apresenta dificuldade para diferenciar determinadas tonalidades.
A visão em preto e branco é uma condição extremamente rara e diferente das formas mais comuns de daltonismo.
Por que o daltonismo é mais comum em homens?
O daltonismo hereditário está relacionado a alterações genéticas localizadas no cromossomo X. Como os homens possuem apenas um cromossomo X, uma única alteração genética já pode ser suficiente para causar a condição.
As mulheres possuem dois cromossomos X. Por isso, geralmente é necessário que ambos apresentem a alteração para que o daltonismo se manifeste, o que torna a condição menos frequente no sexo feminino.
Além disso, muitas mulheres podem ser portadoras da alteração genética sem apresentar sinais da condição.
Como funciona o teste de Ishihara?
O teste de Ishihara é um dos exames mais conhecidos para identificar alterações na percepção das cores. Ele é composto por placas formadas por pontos coloridos que criam números, figuras ou símbolos.
Pessoas com percepção normal das cores costumam identificar essas imagens com facilidade. Já quem apresenta daltonismo pode ter dificuldade para reconhecê-las corretamente.
Por ser simples e rápido, o teste é amplamente utilizado em consultórios oftalmológicos e avaliações visuais.
O teste de Ishihara é suficiente em todos os casos?
Nem sempre. Embora seja muito eficaz para identificar alterações relacionadas ao vermelho e ao verde, ele não detecta todas as formas de daltonismo.
Quando necessário, a oftalmologista pode solicitar exames complementares para uma avaliação mais detalhada.
Quando a alteração na percepção das cores pode indicar algo além da herança genética?
Nem toda alteração na percepção das cores está relacionada ao daltonismo hereditário. Quando a dificuldade surge de forma recente ou evolui ao longo do tempo, é importante investigar outras possíveis causas.
Algumas doenças da retina, alterações do nervo óptico e condições neurológicas podem interferir na forma como as cores são percebidas.
Nessas situações, a avaliação oftalmológica é fundamental para identificar a origem do problema e orientar o acompanhamento adequado.
Sinais de alerta que merecem atenção
Procure uma avaliação especializada se ocorrer:
- Alteração recente na percepção das cores;
- Redução da visão associada à dificuldade para diferenciar tonalidades;
- Diferença na percepção das cores entre um olho e outro;
- Dor ocular acompanhada de alteração visual.
Esses sinais não devem ser ignorados e podem indicar a necessidade de investigação mais aprofundada.
Qual é o papel da Neuro-oftalmologia nesses casos?
Quando existe suspeita de comprometimento do nervo óptico ou de condições neurológicas que possam afetar a visão, a Neuro-oftalmologia pode contribuir para a investigação da causa do problema.
Essa área da oftalmologia avalia a relação entre o sistema visual e o sistema nervoso, auxiliando na identificação de alterações que podem interferir na percepção das cores.
Daltonismo tem cura ou tratamento?
O daltonismo congênito não possui cura atualmente. Ainda assim, a maioria das pessoas convive normalmente com a condição e desenvolve estratégias para lidar com situações do dia a dia que dependem da identificação das cores.
Recursos de acessibilidade disponíveis em celulares, computadores e aplicativos também podem facilitar algumas tarefas.
Quando a alteração é adquirida, o tratamento depende da causa identificada durante a investigação. Por esse motivo, compreender a origem do problema é um passo importante para definir a conduta mais adequada.
Óculos para daltonismo funcionam?
Existem lentes com filtros especiais que podem aumentar o contraste entre algumas cores em situações específicas.
No entanto, esses recursos não corrigem o daltonismo nem restauram a percepção normal das cores.
A indicação deve ser avaliada individualmente pela oftalmologista, de acordo com as necessidades de cada paciente.
FAQ – Perguntas frequentes sobre daltonismo
Daltonismo impede dirigir?
Na maioria dos casos, não. Os semáforos possuem uma disposição padronizada das luzes, permitindo que pessoas com daltonismo interpretem os sinais adequadamente. Algumas profissões e concursos, porém, podem ter critérios específicos relacionados à percepção das cores.
Como saber se meu filho é daltônico?
A dificuldade persistente para diferenciar determinadas cores, especialmente vermelho e verde, pode ser um sinal de alerta. A forma mais segura de confirmar ou descartar a condição é por meio de uma avaliação oftalmológica com testes específicos.
Daltonismo pode piorar com o tempo?
O daltonismo congênito costuma permanecer estável ao longo da vida. Quando a dificuldade para distinguir cores surge ou piora progressivamente, é importante investigar outras possíveis causas.
Quando procurar uma avaliação especializada?
A dificuldade para diferenciar determinadas cores nem sempre está relacionada apenas à herança genética. Em alguns casos, ela pode indicar alterações que exigem investigação oftalmológica.
Se você percebe dificuldade persistente para distinguir algumas tonalidades ou notou mudanças recentes na forma como enxerga as cores, procure uma oftalmologista para uma avaliação completa.
A identificação correta da causa é importante para orientar o acompanhamento adequado e esclarecer dúvidas sobre a condição.
Dra. Medéia Coradini
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683