Qual a relação entre esclerose múltipla e saúde ocular?

Postado em: 07/10/2024

Profissional realizando exame de tomografia de coerência óptica em paciente

Atualizado em 19 de agosto de 2026.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica inflamatória e desmielinizante que afeta o sistema nervoso central, e a visão costuma ser uma das primeiras áreas atingidas. Entender esse padrão ajuda tanto o neurologista quanto eu a agir mais rápido quando um novo sintoma aparece. Eu explico aqui os principais efeitos oculares da doença e como conduzo o acompanhamento.

Quais os efeitos mais comuns da esclerose múltipla na visão?

Neurite óptica

É um dos primeiros sinais da esclerose múltipla em muitos casos: uma inflamação do nervo óptico que pode causar perda de visão em um ou nos dois olhos, com dor ao movimentar os olhos. A perda pode ser parcial ou total, e em parte dos casos há recuperação espontânea; em outros, ficam sequelas, como alteração na percepção de cores ou sensibilidade à luz. O tratamento costuma envolver corticosteroides intravenosos para reduzir a inflamação.

Diplopia

A visão dupla ocorre quando os músculos que controlam os olhos perdem a coordenação, gerando desalinhamento. Pode ser temporária ou persistente, e o tratamento vai de tampões oclusivos e óculos com prisma até, em casos selecionados, cirurgia. Na minha conduta, costumo começar pela opção mais simples, o tampão ou o prisma, e só avanço para a cirurgia se o desalinhamento persistir depois de um período de reavaliação.

Nistagmo

São movimentos involuntários e rápidos dos olhos que prejudicam o foco e trazem sensação de instabilidade visual, dificultando leitura e outras tarefas que exigem atenção visual contínua. Posso indicar medicamentos ou terapias visuais específicas conforme o caso.

A neurite óptica é sempre o primeiro sintoma da esclerose múltipla?

Não sempre, mas é um dos sintomas iniciais mais comuns, o que faz da avaliação oftalmológica um ponto de partida frequente para o diagnóstico. Quando vejo um caso de neurite óptica sem causa evidente, especialmente em adultos jovens, investigo em conjunto com o neurologista a possibilidade de esclerose múltipla ou outras doenças desmielinizantes, porque essa investigação inicial pode antecipar o diagnóstico e o início do tratamento.

Por que o acompanhamento regular importa?

Alterações visuais podem ser o primeiro sinal de um novo surto da doença, e a intervenção precoce ajuda a reduzir danos permanentes. Por isso, realizo exames oftalmológicos regulares, incluindo acuidade visual, campo visual e tomografia de coerência óptica, e trabalho em conjunto com o neurologista do paciente para ajustar o tratamento conforme necessário.

Quando procurar avaliação sem esperar a consulta de rotina

Marco uma avaliação sem esperar a data agendada quando o paciente relata dor ao movimentar os olhos, perda súbita de parte do campo visual ou piora da visão em poucos dias. Esses sinais podem indicar um surto em andamento, e quanto antes eu examino, antes consigo decidir com o neurologista se é o caso de iniciar o tratamento da crise.

A reabilitação visual devolve a visão como era antes?

Não necessariamente. Em muitos casos, a esclerose múltipla deixa sequelas visuais mesmo com tratamento adequado. A reabilitação visual, com dispositivos ópticos e terapias específicas, ajuda o paciente a maximizar o uso da visão residual e manter atividades como ler, dirigir e trabalhar, mas não substitui a visão perdida por completo.

Perguntas frequentes sobre esclerose múltipla e saúde ocular

A neurite óptica sempre indica esclerose múltipla?

Não. A neurite óptica pode ocorrer isoladamente, sem relação com esclerose múltipla, mas quando aparece deve sempre ser investigada, porque em parte dos casos é o primeiro sinal da doença.

O tratamento da esclerose múltipla protege a visão a longo prazo?

Os medicamentos imunomoduladores usados no tratamento da esclerose múltipla reduzem a frequência de novos surtos, incluindo os episódios de neurite óptica, o que indiretamente ajuda a preservar a visão ao longo dos anos, embora não eliminem totalmente o risco.

Calor e febre podem piorar temporariamente a visão de quem tem esclerose múltipla?

Sim, esse é um fenômeno conhecido, em que o aumento da temperatura corporal, seja por febre, exercício intenso ou calor ambiente, piora temporariamente sintomas neurológicos já existentes, incluindo os visuais. A melhora costuma ser rápida quando a temperatura volta ao normal.

Se você tem esclerose múltipla e está enfrentando alterações visuais, você pode marcar uma avaliação comigo, Dra. Medéia Coradini, oftalmologista (CRM 161100 | RQE 100683), com foco em cirurgia de catarata, retina e neuro-oftalmologia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica.

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683