Cirurgia de retina: indicações, tipos de procedimento e o que esperar no pós-operatório

Postado em: 19/10/2026

Flashes de luz no canto do campo visual, moscas volantes que aumentaram de repente, ou uma sombra escura que avança de lado, como uma cortina se fechando. São sintomas que levam muitos pacientes a procurar avaliação com urgência real, e com razão.

Explico neste texto quando esses sinais indicam cirurgia de retina, o que é a vitrectomia, e o que esperar do pós-operatório, sempre com a ressalva de que cada caso tem seu próprio ritmo de recuperação.

Sintomas de retina são sempre urgência?

Nem todo sintoma relacionado à retina exige pronto-socorro, mas alguns exigem avaliação no mesmo dia: flashes de luz associados a moscas volantes novas, perda súbita de parte do campo visual, ou uma sombra que avança como cortina.

Esses sinais podem indicar descolamento de retina, e quanto antes a retina é reaplicada, menor o risco de comprometimento funcional permanente.

Explico isso sem alarmismo, porque não é toda mosca volante nova, nem todo flash isolado, que significa descolamento.

Mas a combinação desses sintomas, principalmente quando surge de forma súbita, muda a prioridade da avaliação. Nesses casos, não vale esperar a próxima consulta de rotina.

O que leva à indicação de cirurgia de retina

Indico cirurgia de retina quando o exame mostra uma alteração que compromete a estrutura ou o funcionamento da retina de um jeito que a conduta clínica isolada não resolve.

As causas mais comuns incluem descolamento de retina, buraco macular, membrana epirretiniana e hemorragia vítrea que não se reabsorve sozinha.

Cada uma dessas condições tem um mecanismo diferente, e a decisão cirúrgica leva em conta a extensão do problema, o tempo de evolução e o risco de piora se nada for feito. Não existe uma indicação genérica: é o exame de cada olho que define o caminho.

O que é a vitrectomia, e quando ela é indicada

Vitrectomia é a remoção cirúrgica do vítreo, o gel transparente que preenche o interior do olho, para dar acesso direto à retina.

Uso essa técnica quando é preciso reparar a retina por dentro do olho, seja para reaplicá-la, remover uma membrana, ou tratar uma hemorragia que compromete a visão.

É uma microcirurgia feita com instrumentos finos, através de pequenas incisões. Dependendo do que está sendo tratado, associo a vitrectomia a outros recursos, como laser ou o uso temporário de gás ou óleo de silicone, que ajudam a manter a retina posicionada durante a cicatrização.

A escolha entre esses recursos depende do que o exame mostra em cada olho, não de um protocolo único.

Em casos de membrana epirretiniana, por exemplo, o objetivo da vitrectomia é remover essa membrana, um tecido fino que se forma sobre a superfície da retina e distorce a imagem.

Já num buraco macular, a cirurgia busca aproximar as bordas do buraco para favorecer o fechamento, muitas vezes com o auxílio de gás intraocular temporário.

São técnicas diferentes dentro do mesmo procedimento de base, e explico qual delas se aplica ao seu caso antes de indicar a cirurgia.

Como investigo antes de indicar a cirurgia

A decisão cirúrgica parte de um exame de fundo de olho detalhado, complementado por retinografia e, quando necessário, tomografia de coerência óptica.

A retinografia registra a imagem da retina e serve tanto para o diagnóstico inicial quanto para acompanhar a evolução do quadro ao longo do tempo.

Uso a retinografia como registro objetivo, porque uma imagem comparável entre consultas mostra alterações que a memória e a descrição verbal não capturam com a mesma precisão.

Em muitos casos, repito a retinografia nos retornos justamente para comparar a evolução com o exame anterior.

Quando a retinografia ou o exame clínico levantam dúvida sobre a extensão de uma lesão, ou sobre a presença de líquido entre as camadas da retina, complemento com a tomografia de coerência óptica, que gera cortes transversais da retina em alta resolução.

É esse conjunto, e não um exame isolado, que define se o caso pede acompanhamento clínico ou indicação cirúrgica.

Cirurgia de retina tem relação com doenças sistêmicas?

Em parte dos casos, sim. Diabetes de longa data, hipertensão não controlada e doenças autoimunes podem afetar a retina, e por isso a avaliação oftalmológica muitas vezes caminha junto com o acompanhamento clínico geral. Reconhecer essa ligação faz parte da investigação, não é um detalhe secundário.

Na retinopatia diabética avançada, por exemplo, pode haver sangramento vítreo ou tração sobre a retina que só se resolve com vitrectomia.

Nesses pacientes, converso também com o endocrinologista ou o clínico que acompanha o controle glicêmico, porque o resultado da cirurgia depende, em parte, do controle da doença de base.

O mesmo raciocínio vale para doenças autoimunes que afetam vasos da retina: a cirurgia trata a consequência local, mas a causa sistêmica segue sendo acompanhada por outro especialista, em paralelo.

O que esperar do pós-operatório de vitrectomia

A recuperação depende do que foi tratado e da técnica usada, incluindo, em alguns casos, a necessidade de manter a cabeça em determinada posição por dias, quando é usado gás intraocular.

Não existe prazo único de recuperação: oriento cada paciente sobre os cuidados específicos do seu procedimento, e o resultado visual depende de critérios clínicos que a avaliação acompanha ao longo do retorno.

  • Evitar esforço físico intenso no período orientado;
  • Seguir o uso de colírios exatamente como prescrito;
  • Respeitar a posição de cabeça indicada, quando há gás intraocular;
  • Comparecer aos retornos agendados, mesmo sem sintomas novos;
  • Comunicar imediatamente qualquer piora súbita da visão.

Perguntas frequentes sobre cirurgia de retina

1. Descolamento de retina sempre precisa de cirurgia?

Na grande maioria dos casos, sim, porque a retina descolada não se reaplica sozinha. O tipo de cirurgia, seja vitrectomia, um procedimento a laser ou outra técnica, depende da extensão e da localização do descolamento.

2. A vitrectomia é feita com anestesia geral?

Pode ser feita com anestesia local associada à sedação ou, em alguns casos, com anestesia geral. A escolha depende da complexidade do caso e é decidida antes da cirurgia.

3. Depois da vitrectomia, a visão volta ao normal?

O que se pode esperar de recuperação visual depende de critérios clínicos, como a causa da cirurgia e o tempo de evolução antes do tratamento. Não é possível prometer o mesmo resultado para todos os casos.

4. Retinografia dói ou machuca o olho?

Não. É um exame de imagem, sem contato direto que cause dor, embora o flash de luz possa incomodar por alguns segundos.

5. Com que frequência preciso repetir a retinografia depois da cirurgia?

Varia conforme a condição tratada e a evolução observada nos retornos. Defino esse intervalo junto com você, a partir do que o acompanhamento mostra.

Avaliação e cirurgia de retina com a Dra. Medéia Coradini

Conduzo a investigação de alterações de retina a partir do exame de fundo de olho, da retinografia e dos demais exames necessários em cada caso, e planejo a cirurgia com você quando ela é indicada.

Se você percebeu flashes de luz, moscas volantes novas ou perda de parte do campo visual, vale procurar avaliação sem demora.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta oftalmológica.

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683