O que é o potencial evocado visual e o que ele detecta?
Postado em: 03/03/2025

Atualizado em 20 de agosto de 2026.
A neuro-oftalmologia tem um papel essencial na avaliação de doenças neurodegenerativas que afetam a visão. Muitas condições neurológicas impactam diretamente o funcionamento dos nervos ópticos e das vias visuais, levando a déficits visuais.
O Exame Neuro-oftalmológico permite a identificação precoce dessas anormalidades, auxiliando no diagnóstico e no tratamento adequado. Hoje convido você a continuar a leitura para conhecer melhor esse tipo de avaliação. Vamos lá?
As doenças neurodegenerativas e a visão
Entre as principais doenças neurodegenerativas que afetam a visão estão as doenças neurodesmielinizantes, como a esclerose múltipla e a neuromielite óptica.
Além delas, condições como atrofia óptica hereditária e distúrbios isquêmicos cerebrais podem comprometer a função visual, entre outras condições que também podem trazer efeitos, porém de forma menos comum.
A realização de exames detalhados na neuro-oftalmologia possibilita a detecção de alterações que, muitas vezes, podem ser os primeiros sinais dessas doenças, permitindo uma abordagem clínica mais precoce.
Além disso, o acompanhamento neuro-oftalmológico é muito importante mesmo para pacientes já diagnosticados e que já fazem outros tratamentos para doenças neurológicas. Afinal, essa área da medicina que cuida da relação entre a visão e o sistema nervoso pode contribuir para reduzir complicações visuais e para o controle dos impactos na visão, sempre em conjunto com o tratamento neurológico do paciente.
O exame neuro-oftalmológico na avaliação de doenças neurodegenerativas
O “Exame Neuro-oftalmológico“ envolve uma série de testes para avaliar a função visual e a integridade das estruturas neurais associadas à visão.
Algumas das principais técnicas utilizadas incluem:
- Tomografia de coerência óptica (OCT): permite a análise detalhada das camadas da retina e do nervo óptico, ajudando a identificar sinais precoces de degeneração neuronal.
- Ressonância magnética (RM): essencial para detectar lesões cerebrais que afetam as vias visuais, como ocorre na esclerose múltipla e em outras doenças neurodesmielinizantes.
- Potenciais evocados visuais (PEV): avaliam a velocidade de condução dos impulsos nervosos entre o olho e o cérebro, sendo úteis na detecção de anormalidades na transmissão visual.
- Testes de campo visual: indicam déficits em diferentes áreas do campo de visão, que podem ser resultado de lesões no nervo óptico ou no cérebro.
Esses exames são fundamentais para diferenciar condições oftalmológicas de distúrbios neurológicos que afetam a visão, permitindo um diagnóstico mais preciso e um planejamento terapêutico adequado.
Principais doenças neurodegenerativas que comprometem a visão
A neuro-oftalmologia investiga diversas doenças que podem causar alterações visuais significativas.
Confira algumas das mais comuns a seguir.
1. Doenças neurodesmielinizantes
A esclerose múltipla e a neuromielite óptica são exemplos de doenças que afetam a mielina dos nervos, comprometendo a transmissão dos impulsos nervosos.
A neurite óptica é uma manifestação frequente, que pode ser caracterizada por perda de visão súbita, dor ocular e alteração na percepção das cores, por exemplo.
O exame neuro-oftalmológico auxilia na identificação dessa inflamação e no monitoramento da progressão da doença.
2. Atrofia óptica hereditária
Condições genéticas, como a neuropatia óptica hereditária de Leber, causam degeneração progressiva do nervo óptico, levando à perda visual.
A tomografia de coerência óptica é um exame essencial para avaliar a espessura da camada de fibras nervosas da retina e monitorar a progressão da atrofia.
3. Distúrbios isquêmicos cerebrais
Acidentes vasculares cerebrais (AVCs) podem comprometer as vias visuais, resultando em alterações no campo visual, como a hemianopsia (perda parcial da visão em um dos lados).
O exame neuro-oftalmológico é fundamental para avaliar a extensão do comprometimento visual após um AVC e orientar estratégias de reabilitação.
A importância do diagnóstico e o acompanhamento
A detecção de anormalidades visuais em doenças neurodegenerativas pode contribuir para o acompanhamento clínico e para orientar o manejo dos sintomas visuais, sempre em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento neurológico, favorecendo a qualidade de vida do paciente.
Como sua neuro-oftalmologista, acompanho de perto cada caso para contribuir com um diagnóstico preciso e um plano de cuidado adequado, sempre em conjunto com a equipe neurológica responsável pelo tratamento.
É importante lembrar que o exame neuro-oftalmológico não diagnostica isoladamente a doença neurológica de base, nem substitui a avaliação do neurologista responsável pelo caso. Ele reúne dados sobre a função visual e a integridade das vias ópticas, que se somam a exames de imagem e à avaliação clínica para compor o diagnóstico. Doenças como esclerose múltipla e neuropatias ópticas hereditárias não têm cura, e o acompanhamento oftalmológico serve para monitorar a visão e apoiar o manejo dos sintomas, não para interromper a progressão da doença.
Procure avaliação neuro-oftalmológica se você ou alguém próximo notar perda de visão súbita ou progressiva, dor ao movimentar os olhos, alteração na percepção das cores, visão dupla ou redução do campo visual, principalmente se já houver diagnóstico ou suspeita de doença neurológica. Esses sinais merecem investigação, ainda que também possam estar associados a outras causas.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o exame neuro-oftalmológico em doenças neurodegenerativas
O exame neuro-oftalmológico pode curar doenças neurodegenerativas como esclerose múltipla ou atrofia óptica hereditária?
Não. Essas doenças não têm cura conhecida. O exame ajuda a identificar e monitorar alterações visuais associadas a elas, mas o tratamento da doença de base é conduzido pela equipe neurológica.
Quais exames fazem parte de uma avaliação neuro-oftalmológica?
Entre os mais utilizados estão a tomografia de coerência óptica (OCT), a ressonância magnética, os potenciais evocados visuais e os testes de campo visual, conforme descrito neste artigo.
O exame neuro-oftalmológico substitui a consulta com o neurologista?
Não. Ele complementa a avaliação neurológica, reunindo informações sobre a função visual e as vias ópticas, mas não substitui o acompanhamento com o neurologista responsável pelo tratamento.
Para saber mais sobre meu trabalho em neuro-oftalmologia ou marcar uma avaliação, entre em contato pelo nosso canal de atendimento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Dra. Medéia Coradini
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683