Como Manter a Saúde Ocular em Pacientes Neurológicos

Postado em: 10/03/2025

A Saúde Ocular em pacientes neurológicos requer um acompanhamento especializado, especialmente quando há condições que afetam o nervo óptico e as vias visuais. 

Como Manter a Saúde Ocular em Pacientes Neurológicos

Muitas doenças neurológicas impactam diretamente a visão, como ocorre em doenças neurodesmielinizantes, atrofias ópticas hereditárias e distúrbios isquêmicos cerebrais. 

A neuro-oftalmologia desempenha um papel fundamental na prevenção e no manejo dessas condições, garantindo um cuidado contínuo para evitar complicações visuais severas.

Continue sua leitura e saiba mais sobre cuidados que essa área da medicina pode oferecer nesse contexto!

O papel do acompanhamento regular com a neuro-oftalmologista

Pacientes com doenças neurológicas devem realizar consultas regulares na área de neuro-oftalmologia para o monitoramento da visão e prevenção de complicações. 

Um exame neuro-oftalmológico pode detectar alterações precoces no nervo óptico e nas vias visuais, permitindo a intervenção antes que danos irreversíveis ocorram.

Os principais exames utilizados para monitoramento incluem:

  • Tomografia de coerência óptica (OCT): auxilia na análise detalhada da retina e do nervo óptico, permitindo a identificação de danos estruturais precoces.
  • Ressonância magnética (RM): avalia a presença de lesões no cérebro e nas vias ópticas, sendo essencial para pacientes com esclerose múltipla e neuromielite óptica, por exemplo.
  • Testes de campo visual: identificam perdas no campo de visão, comuns em pacientes com distúrbios isquêmicos cerebrais, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
  • Potenciais evocados visuais (PEV): avaliam a velocidade da transmissão dos impulsos nervosos entre os olhos e o cérebro, sendo um indicador de desmielinização do nervo óptico.

Manter um acompanhamento regular com a neuro-oftalmologista permite ajustes no tratamento e a prevenção de novos episódios que possam comprometer a visão do paciente.

Esse acompanhamento deve ser uma soma ao acompanhamento regular com seu neurologista, visando um cuidado completo e interdisciplinar.

Controle de doenças associadas

Muitas doenças neurológicas que afetam a visão estão associadas a processos inflamatórios ou vasculares. 

O controle dessas doenças pode minimizar os danos ao nervo óptico e melhorar a função visual.

A seguir, vou comentar alguns exemplos, lembrando sempre que as medidas adotadas no caso de cada pessoa devem sempre ser recomendadas, orientadas e acompanhadas pelo seu neurologista e sua neuro-oftalmologista de confiança.

Esses especialistas devem trabalhar juntos e estar sempre cientes das medidas indicadas um pelo outro, de forma que seus tratamentos sejam complementares. 

1. Doenças neurodesmielinizantes

Pacientes com esclerose múltipla e neuromielite óptica frequentemente apresentam episódios de neurite óptica, caracterizados por perda visual súbita e dor ocular. 

Para reduzir o risco de novos surtos, o uso de medicamentos imunomoduladores e imunossupressores pode ser indicado. 

Além disso, a terapia com medicamentos prescritos em episódios agudos pode ajudar a acelerar a recuperação visual.

2. Atrofias ópticas hereditárias

Para pacientes com neuropatia óptica hereditária de Leber e outras formas de atrofia óptica, a abordagem terapêutica pode incluir o uso de suplementos nutricionais, antioxidantes e Idebenona, que podem retardar a progressão da doença em alguns casos. 

O suporte neuro-oftalmológico e a reabilitação visual são essenciais para adaptar os pacientes à perda visual.

3. Distúrbios isquêmicos cerebrais

Pacientes que sofreram AVCs podem apresentar hemianopsia, diplopia e dificuldades na percepção espacial

O controle rigoroso da pressão arterial, diabetes e colesterol reduz o risco de novos eventos isquêmicos, protegendo as vias visuais de novos danos. 

Além disso, a reabilitação visual ajuda os pacientes a compensar déficits de campo visual.

Estratégias para preservar a visão

Além do acompanhamento médico, algumas estratégias podem auxiliar na preservação da visão e na adaptação do paciente à condição visual. 

As dicas incluem:

  • Adaptação do ambiente: Adaptar a iluminação dos espaços, evitar obstáculos no caminho e utilizar marcadores visuais pode facilitar a mobilidade de pacientes com perda de campo visual.
  • Óculos com lentes prismáticas: Em casos de hemianopsia ou diplopia, esses óculos ajudam a compensar os déficits visuais, podendo ser prescritos pela neuro-oftalmologia.
  • Reabilitação visual: Exercícios para treinar movimentos oculares compensatórios e tecnologias assistivas, como dispositivos de realidade aumentada, são úteis para maximizar o aproveitamento da visão residual.
  • Alimentação e hábitos saudáveis: Uma alimentação rica em antioxidantes e ácidos graxos ômega-3 pode contribuir para a saúde do nervo óptico. Além disso, evitar o tabagismo e controlar doenças metabólicas são fatores essenciais para a preservação da visão.

Manter a “Saúde Ocular” em pacientes neurológicos exige um acompanhamento contínuo de neuro-oftalmologia, além de um controle rigoroso das condições neurológicas associadas. 

Se você ou um familiar enfrenta desafios visuais relacionados a doenças neurológicas, buscar um acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença na preservação da visão. Agende uma consulta para que possamos conversar pessoalmente!

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia, Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.

CRM: 161.100 | RQE: 100.683

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