Derrame ocular pode ser sinal de AVC?

Postado em: 09/12/2024

Paciente realizando exame de campo visual em aparelho de perimetria

Atualizado em 19 de agosto de 2026.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o AVC está entre as principais causas de incapacidade em adultos no mundo, e a visão está entre as funções que podem ser comprometidas. Entender esses sinais precocemente muda o rumo do acompanhamento, porque o cérebro tem uma capacidade limitada, mas real, de se adaptar quando a reabilitação começa a tempo. Eu explico aqui como essa relação acontece e qual o papel da neuro-oftalmologia nesses casos.

Como o AVC pode afetar a visão?

O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, o que pode danificar áreas responsáveis pela visão, como o córtex occipital, o quiasma óptico e outras estruturas neurológicas. Entre os efeitos possíveis estão:

  • Perda de campo visual, chamada hemianopsia, que pode afetar um ou os dois olhos;
  • Visão dupla, causada por dano aos nervos que controlam os músculos oculares;
  • Movimentos oculares descoordenados, decorrentes de lesão no tronco cerebral ou cerebelo;
  • Perda total da visão, mais rara, ligada a dano grave no nervo óptico ou nas vias visuais centrais.

Essas alterações afetam não só a capacidade de ver, mas também a percepção espacial e a mobilidade do paciente.

A perda visual do AVC costuma ser percebida logo pelo paciente?

Nem sempre. Em alguns casos de hemianopsia, o próprio paciente demora a perceber que perdeu parte do campo visual, porque o cérebro tende a completar a lacuna de forma inconsciente. É comum familiares notarem primeiro que a pessoa esbarra em objetos de um lado, não vê alimentos de um lado do prato ou não percebe alguém se aproximando por um lado específico.

Como é a avaliação neuro-oftalmológica após um AVC?

Depois de um AVC, avalio o campo visual, solicito exames de imagem quando necessário, avalio os movimentos oculares e realizo testes de acuidade visual e sensibilidade ao contraste, para entender o impacto funcional na visão e planejar o cuidado com precisão.

Como é o manejo das alterações visuais depois de um AVC?

Reabilitação visual

Pode incluir exercícios para melhorar a coordenação ocular, prismas para corrigir a visão dupla e terapias comportamentais que treinam o cérebro a compensar áreas de perda visual.

Controle de fatores de risco

Tratar hipertensão, diabetes e colesterol alto reduz o risco de um novo AVC e protege a visão que ainda resta.

Acompanhamento multidisciplinar

Neuro-oftalmologista, neurologista, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional trabalham juntos para uma recuperação mais completa.

O neurologista acompanha a evolução do quadro clínico e ajusta o controle dos fatores de risco junto com o clínico geral ou cardiologista. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional trabalham a adaptação às perdas visuais no dia a dia, treinando estratégias de exploração do ambiente e segurança em tarefas cotidianas, como caminhar por um corredor ou reconhecer objetos de um lado do campo de visão. Essa troca constante entre as especialidades ajuda a identificar cedo quando um sintoma novo pode indicar outro evento neurológico, o que pede avaliação médica sem demora.

A reabilitação visual devolve a visão perdida no AVC?

Não sempre. A reabilitação ajuda o paciente a se adaptar às alterações visuais e a usar melhor a visão que restou, mas não reverte, necessariamente, o dano já causado pelo AVC. O ganho real varia conforme a extensão da lesão e o tempo entre o AVC e o início do acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre derrame e visão

Toda perda de visão após um AVC é permanente?

Não. Parte dos pacientes recupera função visual nos primeiros meses após o AVC, especialmente com reabilitação precoce, embora o grau de recuperação varie caso a caso.

É possível prevenir os efeitos visuais de um AVC?

Não é possível prevenir totalmente, mas controlar hipertensão, diabetes e colesterol reduz a chance de um novo evento e, com isso, protege a visão que ainda resta.

Quando a avaliação oftalmológica deve começar após o AVC?

Idealmente ainda durante a internação ou logo depois da alta, para documentar o quadro visual inicial e começar a reabilitação o mais rápido possível, já que o tempo entre o evento e o início do acompanhamento influencia o resultado.

Se você teve um AVC e notou mudanças na visão, marque uma avaliação comigo, Dra. Medéia Coradini, oftalmologista (CRM 161100 | RQE 100683), com foco em cirurgia de catarata, retina e neuro-oftalmologia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica.

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683