Exame Neuro-oftalmológico na avaliação de pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Postado em: 07/02/2025
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma condição médica grave que ocorre quando o suprimento de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou quando há um rompimento de um vaso sanguíneo cerebral, levando à morte das células cerebrais.
As consequências de um AVC podem ser amplas, afetando diversas funções neurológicas, incluindo a visão. Nesse contexto, o Exame Neuro-oftalmológico torna-se uma ferramenta essencial para avaliar e diagnosticar comprometimentos visuais decorrentes de um AVC.
Continue sua leitura e saiba mais sobre como funciona este exame!
Importância do exame neuro-oftalmológico pós-AVC
Após um AVC, é comum que os pacientes apresentem deficiências visuais de diferentes naturezas.
Estudos indicam que aproximadamente 65% dos sobreviventes de AVC desenvolvem algum tipo de deficiência visual, que pode incluir perda de campo visual, visão dupla (diplopia), movimentos oculares anormais e dificuldades no processamento visual.
O “Exame Neuro-oftalmológico” permite identificar e caracterizar essas alterações, possibilitando um diagnóstico preciso e a implementação de estratégias de reabilitação visual adequadas.
Principais alterações visuais decorrentes do AVC
As manifestações visuais pós-AVC podem variar conforme a área do cérebro afetada e a gravidade do evento. Entre as principais alterações possíveis, destacam-se:
- Perda de campo visual: Ocorre quando há comprometimento das vias ópticas, resultando em hemianopsia (perda de metade do campo visual) ou quadrantanopsia (perda de um quadrante do campo visual). Essa condição pode dificultar atividades cotidianas, como leitura e locomoção.
- Diplopia (visão dupla): Decorrente de paralisias ou paresias dos músculos oculares, levando ao desalinhamento dos olhos e, consequentemente, à percepção de imagens duplicadas..
- Distúrbios de movimento ocular: Incluem nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) e dificuldades na coordenação dos movimentos oculares, afetando a capacidade de focalizar objetos e seguir movimentos. Esses distúrbios podem comprometer a estabilidade visual e o equilíbrio.
- Negligência visual: Também conhecida como heminegligência, é a incapacidade de perceber ou responder a estímulos em um dos lados do campo visual, geralmente o lado esquerdo, mesmo na ausência de déficits visuais primários. Essa condição está associada a lesões no hemisfério cerebral direito.
Procedimentos do exame neuro-oftalmológico
O exame neuro-oftalmológico é abrangente e inclui diversas avaliações para identificar as alterações visuais pós-AVC:
- Acuidade visual: Mede a clareza ou nitidez da visão, permitindo detectar reduções na capacidade visual central. Alterações na acuidade visual podem indicar comprometimento das vias ópticas ou das áreas cerebrais responsáveis pelo processamento visual.
- Campimetria visual: Avalia o campo visual periférico, identificando perdas em áreas específicas que podem estar relacionadas a lesões cerebrais. A campimetria é fundamental para diagnosticar hemianopsias ou outras deficiências de campo visual.
- Motilidade ocular: Examina os movimentos dos olhos para detectar paralisias ou restrições que possam causar diplopia ou outros distúrbios de movimento ocular. A avaliação da motilidade ocular ajuda a identificar lesões nos nervos cranianos responsáveis pelo controle dos músculos oculares.
- Reflexos pupilares: Testa a resposta das pupilas à luz, auxiliando na identificação de lesões neurológicas que afetam as vias aferentes ou eferentes do reflexo pupilar.
- Fundoscopia: Permite a visualização do nervo óptico e da retina, identificando sinais de edema, atrofia ou hemorragias. A fundoscopia é útil para avaliar a integridade das estruturas oculares e detectar possíveis associações com alterações do SNC , como oclusão da arterial na retina gerando baixa visual.
Reabilitação visual pós-AVC
A identificação precoce das alterações visuais permite a implementação de programas de reabilitação visual personalizados, visando melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
As estratégias podem incluir:
- Terapia de visão: Exercícios específicos para melhorar a coordenação ocular, ampliar o campo visual útil e reduzir a diplopia. A terapia de visão é conduzida por profissionais especializados como fisioterapeuta e pode auxiliar na recuperação dos pacientes.
- Auxílios ópticos: Uso de lentes prismáticas ou outros dispositivos que auxiliem na compensação das perdas de campo visual ou na correção da diplopia. Esses recursos podem facilitar a realização de atividades cotidianas e promover maior independência.
- Adaptações ambientais: Modificações no ambiente doméstico ou de trabalho para facilitar a mobilidade e a segurança do paciente com deficiência visual. Isso pode incluir a reorganização de móveis, melhoria da iluminação e uso de sinalizações adequadas.
O exame neuro-oftalmológico tem um papel fundamental na avaliação de pacientes que sofreram um AVC, permitindo a detecção de alterações visuais que impactam.
Através de uma avaliação detalhada e da implementação de estratégias de reabilitação adequadas, é possível minimizar as consequências visuais do AVC e promover uma recuperação mais completa para os pacientes!
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia, Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.
CRM: 161.100 | RQE: 100.683
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