Identificando sinais de Esclerose Múltipla através do Exame Neuro-oftalmológico

Postado em: 04/02/2025

Identificando Sinais de Esclerose Múltipla através do Exame Neuro-oftalmológico

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crônica que afeta o sistema nervoso central, resultando na desmielinização dos neurônios. Dada a complexidade da via visual, que ocupa uma porção significativa do cérebro, manifestações oftalmológicas são comuns e podem ser indicativas precoces da doença. 

O Exame Neuro-oftalmológico pode ter um papel muito importante na detecção desses sinais, permitindo um diagnóstico mais ágil.

Continue sua leitura e saiba mais sobre como este exame pode ajudar!

A importância do exame neuro-oftalmológico na esclerose múltipla

O Exame Neuro-oftalmológico permite avaliar a integridade das vias visuais e identificar alterações que possam sugerir a presença de EM. 

Por meio de uma avaliação detalhada, é possível detectar comprometimentos no nervo óptico e nos movimentos oculares, que frequentemente estão presentes em pacientes com essa condição.

Principais manifestações oculares na esclerose múltipla

As manifestações oculares são frequentes na EM e podem ser a primeira indicação da doença. Entre as mais comuns, destacam-se:

  • Neurite óptica: Caracteriza-se pela inflamação do nervo óptico, resultando em perda visual unilateral, dor ocular ao movimentar os olhos e alteração na percepção das cores, especialmente do vermelho. Estudos indicam que a neurite óptica pode ser a primeira manifestação da EM em até 20% dos casos.
  • Distúrbios oculomotores: Pacientes com EM podem apresentar diplopia (visão dupla) devido ao desalinhamento ocular, nistagmo (movimentos oculares involuntários) e oftalmoplegia internuclear, que se manifesta como dificuldade na coordenação dos movimentos oculares horizontais.

Procedimentos diagnósticos no exame neuro-oftalmológico

Para identificar sinais de esclerose múltipla, a neuro-oftalmologista utiliza diversos exames complementares, como:

  • Ressonância magnética (RM): Permite a visualização detalhada do nervo óptico e de possíveis lesões desmielinizantes no sistema nervoso central. A presença de lesões na substância branca do cérebro é um indicativo significativo de EM.
  • Tomografia de coerência óptica (OCT): Avalia a espessura das camadas da retina e do nervo óptico, detectando atrofias ou edemas que podem estar associados à EM. A redução da espessura da camada de fibras nervosas da retina é comum em pacientes com EM.
  • Potenciais evocados visuais (PEV): Medem a resposta elétrica do cérebro a estímulos visuais, identificando atrasos na condução nervosa típicos de desmielinização. Alterações nos PEV podem indicar comprometimento das vias visuais, mesmo na ausência de sintomas clínicos evidentes.

A identificação precoce dos sinais oculares da EM muitas vezes ajuda a iniciar o tratamento adequado mais cedo, potencialmente retardando a progressão da doença. 

Além disso, o exame neuro-oftalmológico detalhado permite não apenas diagnosticar a EM, mas também monitorar sua evolução e a eficácia das intervenções terapêuticas.

O exame neuro-oftalmológico é uma ferramenta valiosa na detecção de sinais precoces da esclerose múltipla. Através de uma avaliação minuciosa e do uso de exames complementares, é possível identificar manifestações oculares da doença, permitindo um diagnóstico precoce. 

Pacientes que apresentam sintomas visuais inexplicados devem ser encaminhados para avaliação neuro-oftalmológica, visando descartar ou confirmar a presença de EM e iniciar o tratamento apropriado o quanto antes. Entre em contato e agende uma consulta!

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia, Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.

CRM: 161.100 | RQE: 100.683

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