O que pode piorar a catarata?

Postado em: 15/03/2023

Atualizado em 19 de agosto de 2026.

A catarata surge quando o cristalino do olho perde transparência, provocando visão embaçada e perda progressiva de nitidez. A causa mais comum é o envelhecimento, mas existem casos adquiridos por outros fatores e casos congênitos, presentes desde o nascimento. Eu explico aqui o que pode acelerar essa opacificação e o que ajuda a reduzir o risco.

Quais fatores podem agravar ou acelerar a catarata?

Além do envelhecimento natural do cristalino, alguns fatores têm relação reconhecida com o agravamento da catarata:

  • Diabetes mal controlado, mais associado ao surgimento em idade mais precoce;
  • Uso prolongado de corticoides, em colírio ou via oral;
  • Exposição frequente à radiação ultravioleta sem proteção adequada;
  • Tabagismo;
  • Traumas oculares prévios;
  • Doenças oculares inflamatórias associadas.

Quais sintomas indicam que a catarata está avançando?

Alteração contínua do grau dos óculos, maior sensibilidade à luz, piora da miopia, percepção de cores desbotadas e dificuldade crescente para tarefas do dia a dia, como ler ou dirigir, costumam indicar progressão. Nos estágios iniciais, esses sinais são discretos, e por isso muitos pacientes demoram a perceber a evolução.

Existe catarata associada a outras doenças oculares?

Sim, é o que chamamos de catarata secundária, associada a condições como uveíte, glaucoma de longa duração ou uso de medicações específicas para outras doenças oculares. Nesses casos, o acompanhamento envolve tratar a condição de base junto com a avaliação do cristalino.

Alguns medicamentos, além do corticoide, também aceleram a catarata?

Sim. Além dos corticoides, alguns medicamentos usados em tratamentos prolongados, como certos antipsicóticos e quimioterápicos, têm relação descrita com maior risco de catarata. Isso não significa suspender esses medicamentos por conta própria: o que eu recomendo é informar ao seu médico responsável e manter acompanhamento oftalmológico regular enquanto durar o tratamento, para identificar qualquer sinal precocemente.

O que ajuda a reduzir o risco de agravamento?

Reduzir o tabagismo, proteger os olhos da radiação ultravioleta com óculos de sol adequados, controlar o diabetes e evitar o uso não orientado de corticoides são medidas que eu recomendo para reduzir fatores de risco. Nenhuma delas garante que a catarata não vai progredir, mas ajudam a diminuir a velocidade de evolução em muitos casos.

Quando procurar avaliação oftalmológica?

Procure avaliação sempre que notar mudança na qualidade da visão, mesmo que pareça discreta no início. Diabéticos, tabagistas, pessoas com histórico de trauma ocular ou uso prolongado de corticoide merecem atenção redobrada, com exames mais frequentes. O diagnóstico precoce não impede a progressão da catarata, mas permite planejar o tratamento com calma, antes que a visão comprometa tarefas essenciais do dia a dia.

Perguntas frequentes sobre o agravamento da catarata

Estresse ou uso de telas agravam a catarata?

Não há evidência de que estresse ou tempo de tela acelerem a opacificação do cristalino. O desconforto visual associado a essas situações costuma ter outra causa, como fadiga ocular.

Parar de fumar reverte o agravamento já ocorrido?

Não reverte a opacidade já formada, mas reduz o ritmo de progressão a partir do momento em que o hábito é interrompido.

A gravidez pode acelerar a catarata?

Não é um fator direto de agravamento, mas alterações hormonais e, em alguns casos, diabetes gestacional podem influenciar indiretamente a saúde ocular, o que reforça a importância de manter consultas oftalmológicas regulares também nesse período.

Trabalhar muitas horas ao ar livre aumenta o risco?

Sim, quando a exposição solar acontece sem proteção adequada ao longo dos anos. Quem trabalha ao ar livre se beneficia especialmente do uso constante de óculos de sol com proteção UV e, quando possível, chapéu ou boné com aba.

Essas medidas evitam a necessidade de cirurgia?

Não. A catarata é uma condição progressiva e, uma vez instalada, a cirurgia é o único tratamento que restaura a visão. As medidas de proteção reduzem fatores de risco e podem retardar a evolução, mas não substituem o acompanhamento nem eliminam a indicação cirúrgica quando ela chega.

Se você notou algum desses sinais, você pode marcar uma avaliação comigo, Dra. Medéia Coradini, oftalmologista (CRM 161100 | RQE 100683), com foco em cirurgia de catarata, retina e neuro-oftalmologia.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica.

Dra. Medéia Coradini

Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683