Como escolher a graduação dos óculos para perto?
Postado em: 28/11/2023

Atualizado em 19 de agosto de 2026.
No consultório, é comum a pessoa chegar dizendo que o braço já não alcança mais a distância certa para ler: o celular, o cardápio, a bula do remédio, tudo precisa se afastar dos olhos para ficar nítido. Esse é o sinal mais comum de que os óculos para perto entraram na conversa, e a dúvida que vem junto é sempre a mesma: qual é o grau certo, e como saber se a receita está adequada.
O que é a presbiopia?
A presbiopia é a perda progressiva da capacidade do olho de focar objetos próximos, e ela costuma aparecer a partir dos 40 anos. Não é uma doença, é uma mudança natural do cristalino, que se torna menos flexível com o tempo e perde parte da capacidade de ajustar o foco entre longe e perto.
Na prática, eu vejo o paciente relatar que precisa afastar o celular ou o livro do rosto para enxergar com nitidez, ou que sente necessidade de mais luz para ler à noite. Também é comum o relato de cansaço visual e dor de cabeça depois de um período de leitura ou trabalho de perto.
- necessidade de afastar o material de leitura para as letras ficarem nítidas;
- visão embaçada na distância normal de leitura;
- tensão ocular ou dor de cabeça depois da leitura ou do trabalho de perto.
Só um exame define o grau certo dos óculos para perto?
Sim. O grau dos óculos para perto só é definido por consulta oftalmológica com exame de refração, nunca por tentativa em óculos prontos de farmácia ou pela receita de outra pessoa. Na receita, o termo “adição” (ou “ad”) indica o grau complementar necessário para a visão de perto, que pode ou não estar somado ao grau de miopia ou hipermetropia que a pessoa já tinha.
Eu levo em conta, além do resultado do exame, a rotina da pessoa: quem lê muito, quem trabalha longas horas de computador e quem faz trabalho manual de precisão precisam de ajustes diferentes na receita, mesmo com o mesmo grau de presbiopia. A distância pupilar também entra nessa conta: as pupilas precisam estar alinhadas com o centro óptico das lentes para a correção funcionar por completo.
Óculos para perto resolvem qualquer dificuldade de visão de perto?
Não. Os óculos para perto corrigem a dificuldade de foco causada pela presbiopia, mas não tratam outras condições que também afetam a visão de perto, como catarata em estágio avançado, alterações da retina ou alterações neurológicas do processamento visual. O que eles entregam é nitidez para a distância de leitura, dentro do grau prescrito, e esse ganho já muda o dia a dia de quem sentia a vista cansada o tempo todo.
Quando procurar avaliação para os óculos de perto?
Vale marcar consulta assim que a leitura de perto começar a incomodar de forma constante, mesmo que pareça um desconforto pequeno. Dor de cabeça frequente depois de ler, necessidade de afastar cada vez mais o material ou piora rápida em poucas semanas merecem avaliação sem esperar, porque podem indicar outra alteração associada à presbiopia.
É necessário usar óculos de perto o tempo todo?
Depende do grau de presbiopia e da rotina de cada pessoa. Quem tem só presbiopia costuma usar os óculos apenas nas tarefas de perto, como leitura ou uso do computador. Já quem também precisa corrigir a visão de longe, com lentes bifocais ou multifocais, tende a usar os óculos por mais tempo ao longo do dia.
Para quem é indicado o óculos para perto?
Além da presbiopia relacionada à idade, outras situações levam à indicação de óculos para perto:
- hipermetropia: dificuldade para focar objetos próximos desde antes da presbiopia;
- astigmatismo associado: distorção da imagem em curtas distâncias;
- pacientes no pós-operatório de cirurgia ocular, como a cirurgia de catarata, que às vezes precisam de ajuste para atividades de leitura, a depender da lente implantada.
Quem já opera catarata ou está avaliando a cirurgia costuma trazer essa dúvida junto: no acompanhamento pós-operatório, eu explico se a lente implantada ainda vai exigir óculos de perto ou se a correção de perto já fica resolvida na própria cirurgia, o que depende do tipo de lente escolhido.
A avaliação de uma oftalmologista, com foco em neuro-oftalmologia quando o caso pedir, é indispensável para indicar a graduação correta e verificar se há outras alterações na visão que precisam de acompanhamento. Quem tem dúvida sobre a estabilidade do próprio grau também pode ler mais em como saber se o grau de óculos prescrito está certo ou errado, e quem quer entender a presbiopia com mais profundidade encontra o tema tratado em presbiopia: entendendo a visão de perto com a idade.
Quais são os tipos de lentes de óculos para perto?
Existem diferentes tipos de lentes para óculos de perto, e a indicação depende da necessidade de cada paciente:
- lentes monofocais para perto: corrigem exclusivamente a visão de curta distância;
- lentes bifocais: combinam visão de perto e de longe, com uma linha visível que separa os dois campos;
- lentes multifocais: permitem enxergar bem de perto, de longe e em distâncias intermediárias, sem linhas aparentes.
A escolha da lente é individual e leva em conta idade, rotina, hábitos de leitura e até a profissão da pessoa. Não existe uma lente única que sirva para todo mundo: a que faz sentido para quem passa o dia no computador raramente é a mesma que serve para quem lê bastante em papel.
O material e o revestimento da lente também fazem diferença?
Sim. Além do tipo de correção, o material da lente influencia peso, espessura e resistência. A resina é a opção mais leve e comum, embora risque com mais facilidade; o policarbonato é mais resistente a impactos, o que costuma ser indicado para quem tem rotina mais ativa. Revestimento antirrisco ajuda a lente a durar mais, e o antirreflexo reduz o brilho incômodo em telas e à noite, um ganho de conforto que costumo indicar para quem passa muitas horas de tela por dia.
Perguntas frequentes sobre óculos para perto
É normal precisar aumentar o grau dos óculos para perto com o tempo?
Sim. A presbiopia costuma progredir até estabilizar por volta dos 60 anos, o que pode exigir troca de lentes ao longo desse período.
Posso comprar óculos de leitura prontos em farmácia?
Não é o recomendado. Esses óculos não consideram diferenças de grau entre os dois olhos nem outras alterações da visão, e podem causar dor de cabeça ou visão distorcida em vez de resolver o desconforto.
Quem fez cirurgia de catarata precisa usar óculos para perto?
Em parte dos casos, sim. Depende do tipo de lente intraocular implantada na cirurgia, e esse ponto entra na avaliação de acompanhamento no pós-operatório.
Acompanhamento da presbiopia e dos óculos para perto com a Dra. Médéia Coradini
Se a leitura de perto está exigindo esforço maior do que exigia antes, eu posso avaliar o grau atual e indicar a lente mais adequada ao seu caso, considerando também se há alguma outra alteração associada que precise de acompanhamento.
Marcar uma avaliação é o caminho para sair da dúvida sobre o grau e entender as opções de lente para o seu caso.
Dra. Médéia Coradini, oftalmologista (CRM 161100 | RQE 100683), com foco em cirurgia de catarata, retina e neuro-oftalmologia.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.
Dra. Medéia Coradini
Oftalmologista especialista em Neuro-oftalmologia,
Cirurgias de Catarata com lentes de tecnologia avançada e Cirurgiã de Retina.CRM: 161.100 | RQE: 100.683